Analisador de Dados

Por onde começar

Qual teste estatístico usar? Guia de decisão para TCC e dissertação

Que teste estatístico usar na monografia? Teste t, ANOVA, qui-quadrado, correlação ou Mann-Whitney: uma tabela de decisão simples, passo a passo.

· 5 min de leitura

Escolher o teste estatístico certo é o passo em que mais estudantes ficam presos na análise de dados da tese. A boa notícia é que a escolha não depende de gosto: depende de três coisas objetivas: o que quer saber (comparar grupos ou relacionar variáveis), o tipo das variáveis (categóricas ou numéricas) e se os dados cumprem os pressupostos (normalidade, sobretudo). Com estas três respostas, o teste sai quase sozinho.

Este guia percorre essas três perguntas e termina numa tabela de decisão que pode imprimir e ter ao lado quando analisa os dados da sua monografia, dissertação ou artigo.

Passo 1: que tipo de pergunta está a fazer?

Praticamente todas as perguntas de investigação quantitativas cabem numa de três famílias:

  • Descrever: «Quem são os participantes?», «Qual é a satisfação média?». Não há hipótese a testar: usa estatísticas descritivas, tabelas de frequências e a caracterização da amostra.
  • Comparar grupos: «Os homens e as mulheres diferem na produtividade?», «O desempenho melhorou depois do treino?». Aqui entram o teste t, a ANOVA e as alternativas não paramétricas.
  • Relacionar variáveis: «Quanto mais tempo na empresa, maior o salário?», «O sexo está associado à modalidade de trabalho?». Aqui entram a correlação, o qui-quadrado e a regressão.

Se a sua pergunta tem a palavra diferença, difere ou compara, está na segunda família. Se tem relação, associação, influência ou prevê, está na terceira.

Passo 2: que tipo de variáveis tem?

O nível de medida das variáveis decide o teste. Há três níveis, e o SPSS (e esta ferramenta) usa os mesmos nomes:

  • Nominal: categorias sem ordem: sexo, departamento, curso, província.
  • Ordinal: categorias com ordem: escolaridade, escalas de Likert (1 = discordo totalmente … 5 = concordo totalmente).
  • Escala (numérica): números com significado aritmético: idade, salário, nota, horas.

Numa comparação de grupos, a variável que define os grupos é categórica (nominal ou ordinal) e a variável comparada é, em regra, numérica ou ordinal. Numa relação entre duas variáveis, o que conta é se ambas são categóricas (qui-quadrado), ambas numéricas (correlação de Pearson) ou ordinais (correlação de Spearman).

E os itens de Likert?

Um item de Likert isolado é ordinal. A média de vários itens de uma mesma dimensão (um índice ou score) costuma ser tratada como numérica. Antes de somar ou fazer a média dos itens, confirme que eles medem o mesmo construto com o alfa de Cronbach.

Passo 3: os dados cumprem os pressupostos?

Os testes paramétricos (teste t, ANOVA, Pearson, regressão) comparam médias e assumem que os dados seguem, pelo menos aproximadamente, uma distribuição normal. Quando isso falha, ou quando a variável é ordinal, usa-se o equivalente não paramétrico, que trabalha com ordens (ranks) em vez de médias.

Para decidir, faça primeiro o teste de normalidade (Shapiro-Wilk) em cada grupo. Se compara grupos, veja também a homogeneidade de variâncias com o teste de Levene. E, antes de tudo, verifique se há valores atípicos que possam distorcer as médias.

Um detalhe que muda muito na prática: com amostras grandes (mais de 30 casos por grupo), o teste t e a ANOVA são robustos a desvios moderados da normalidade. Com grupos pequenos, a normalidade pesa mais, e aí a alternativa não paramétrica é mais segura.

A tabela de decisão

Tabela 1 Que teste usar, pela pergunta e pelas variáveis
O que quer saberVariáveisParamétricoNão paramétrico
Média difere de um valor de referência1 numéricat para uma amostraWilcoxon (uma amostra)
Comparar 2 grupos independentesnumérica + categórica (2 grupos)t para amostras independentesMann-Whitney
Comparar 2 medidas dos mesmos casos2 numéricas (antes/depois)t para amostras emparelhadasWilcoxon (emparelhadas)
Comparar 3 ou mais gruposnumérica + categórica (3+ grupos)ANOVA de um fator + post-hocKruskal-Wallis + Dunn
Associação entre 2 categóricas2 nominais/ordinaisQui-quadrado + V de Cramér
Relação entre 2 numéricas2 numéricasCorrelação de PearsonCorrelação de Spearman
Prever uma numérica a partir de outra(s)1 dependente + 1 ou mais preditorasRegressão simples / múltipla—
Fiabilidade de uma escala2 ou mais itensAlfa de Cronbach

Três exemplos para fixar

«A satisfação difere entre homens e mulheres?»

É uma comparação de dois grupos independentes. A satisfação medida num único item de Likert é ordinal, por isso o teste indicado é o Mann-Whitney. Se a satisfação fosse um score médio de vários itens e fosse aproximadamente normal em cada sexo, o teste t seria adequado.

«O salário varia com o nível de escolaridade?»

Três grupos (Ensino Médio, Licenciatura, Pós-graduação) e uma variável numérica: é uma ANOVA de um fator. Se der significativa, o teste post-hoc diz entre que níveis está a diferença.

«Existe relação entre o tempo na empresa e o salário?»

Duas variáveis numéricas: correlação de Pearson. Se quiser ir além da relação e quantificar quanto o salário aumenta por cada ano de casa, passe para a regressão linear.

A ordem certa no capítulo dos resultados

Quase todas as teses seguem a mesma sequência, e os orientadores esperam-na:

  1. Caracterização da amostra: a Tabela 1, com o perfil dos participantes.
  2. Fiabilidade dos instrumentos: alfa de Cronbach de cada escala usada.
  3. Estatística descritiva das variáveis principais (médias, desvios-padrão).
  4. Verificação dos pressupostos: normalidade, homogeneidade, outliers.
  5. Testes de hipóteses: um por hipótese ou objetivo específico, pela ordem em que foram formulados.

Erros comuns na escolha do teste

  • Fazer vários testes t em vez de uma ANOVA. Com três grupos, fazer três testes t aumenta a probabilidade de um falso positivo. Use a ANOVA e, depois, o post-hoc.
  • Usar o teste t independente para dados antes/depois. Se são as mesmas pessoas medidas duas vezes, o teste é o emparelhado.
  • Calcular a média de uma variável nominal. A «média do sexo» ou do «departamento» não tem significado. Para categóricas, use frequências e percentagens.
  • Esquecer o tamanho de efeito. Um p < 0,05 diz que há diferença; o d de Cohen, o η² ou o r dizem se ela é grande o suficiente para importar.

Atalho

Quando carrega o seu ficheiro no Analisador de Dados, os níveis de medida são lidos do SPSS (ou deduzidos do Excel), e cada análise só aceita as variáveis do tipo certo. Os pressupostos são verificados automaticamente e a ferramenta avisa quando deve trocar para o teste não paramétrico.

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