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Tabela de frequências: como fazer e interpretar na monografia

Como fazer e interpretar uma tabela de frequências: percentagem válida e acumulada, escalas de Likert e redação em APA. Exemplo resolvido.

· 4 min de leitura

Uma tabela de frequências conta quantos casos há em cada categoria de uma variável e converte essas contagens em percentagens. É a forma certa de descrever variáveis categóricas (sexo, curso, departamento, nível de escolaridade) e as respostas a itens de uma escala de Likert. Numa monografia, é das primeiras tabelas do capítulo dos resultados.

Quando usar uma tabela de frequências

  • Para variáveis nominais (categorias sem ordem): sexo, província, departamento.
  • Para variáveis ordinais (categorias com ordem): escolaridade, faixa etária, itens de Likert.
  • Para variáveis numéricas com poucos valores distintos (número de filhos, ano do curso).

Para variáveis numéricas contínuas (idade, salário, notas), uma tabela de frequências fica enorme e pouco útil. Use estatísticas descritivas. Se quer todas as variáveis sociodemográficas numa só tabela, veja a caracterização da amostra.

As colunas da tabela

  • Frequência (n): o número de casos em cada categoria.
  • Percentagem: a frequência sobre o total de casos, incluindo os que não responderam.
  • Percentagem válida: a frequência sobre os casos que responderam. É esta a que se reporta na tese, porque não depende de quantos deixaram a pergunta em branco.
  • Percentagem acumulada: a soma das percentagens válidas até essa categoria. Só faz sentido em variáveis ordinais: permite dizer «68,3% estão no ponto neutro ou abaixo».

Quando não há respostas em falta, a percentagem e a percentagem válida coincidem, como no exemplo abaixo.

Exemplo resolvido

Pergunta: como se distribuem os 120 profissionais por departamento, escolaridade e nível de satisfação no trabalho? O departamento é nominal; a escolaridade e a satisfação (escala de Likert de 1 a 5) são ordinais.

Tabela 1 Distribuição da satisfação no trabalho (N = 120)
Satisfaçãon% válida% acumulada
1 = Muito insatisfeito97,57,5
2 = Insatisfeito2520,828,3
3 = Neutro4840,068,3
4 = Satisfeito2924,292,5
5 = Muito satisfeito97,5100,0

Nas outras duas variáveis: por departamento, Operações é o mais representado (36; 30,0%), seguido de TI (32; 26,7%), Vendas (30; 25,0%) e RH (22; 18,3%). Na escolaridade, quase metade tem Licenciatura (59; 49,2%), 27,5% o Ensino Médio e 23,3% Pós-graduação.

Como fazer no Analisador de Dados

  1. Abra a aba Análises e escolha «Tabela de frequências».
  2. No campo Variáveis, marque as variáveis categóricas que quer descrever. Pode escolher várias de uma vez.
  3. Confirme que a Percentagem válida está ligada; ligue a Percentagem acumulada para variáveis ordinais.
  4. Opcional: ordene por frequência (útil em listas longas) e escolha o tipo de gráfico: barras, circular ou ambos.

No SPSS, o caminho é Analyze › Descriptive Statistics › Frequencies.

Como interpretar o resultado

Comece pela categoria mais frequente e pela menos frequente, que é o que o leitor quer saber primeiro. Depois, se a variável for ordinal, use a percentagem acumulada para agrupar as extremidades da escala:

  • A resposta dominante é «Neutro» (40,0%).
  • Somando as duas categorias de baixo, 28,3% estão insatisfeitos ou muito insatisfeitos.
  • Somando as duas de cima, 31,7% estão satisfeitos ou muito satisfeitos (24,2% + 7,5%).

A distribuição está concentrada no centro da escala, sem uma tendência clara para a satisfação ou para a insatisfação. Se quiser testar formalmente se a satisfação mediana difere do ponto neutro, use o teste de Wilcoxon para uma amostra.

Como reportar em formato APA

No texto, apresente o número de casos e a percentagem entre parênteses. Arredonde as percentagens a uma casa decimal.

Modelo de redação

Relativamente à satisfação no trabalho, a resposta mais frequente foi «Neutro» (n = 48; 40,0%). Cerca de um terço dos profissionais declarou estar satisfeito ou muito satisfeito (n = 38; 31,7%), e uma proporção semelhante mostrou-se insatisfeita ou muito insatisfeita (n = 34; 28,3%).

Barras ou gráfico circular?

O gráfico de barras é quase sempre a melhor escolha: permite comparar categorias com precisão e mostra a forma de uma escala de Likert. O gráfico circular só funciona com poucas categorias (duas a quatro) que somam um todo com significado, como o sexo. Evite gráficos circulares com cinco ou mais fatias, porque o olho não compara ângulos com rigor.

Erros comuns

  • Reportar a percentagem em vez da percentagem válida quando há respostas em falta: a soma das categorias deixa de dar 100%.
  • Usar a percentagem acumulada numa variável nominal. «51,7% estão em Vendas ou TI» só é acumulado por acaso da ordem dos códigos.
  • Repetir no texto tudo o que está na tabela. O texto destaca o essencial; a tabela guarda o detalhe.
  • Esquecer o N total no título ou numa nota da tabela.

Se quiser saber se duas variáveis categóricas estão relacionadas (por exemplo, se a satisfação depende do departamento), o passo seguinte é a tabela cruzada com o teste do qui-quadrado.

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