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Teste t para uma amostra: comparar a média com um valor de referência

Como comparar a média com um valor de referência no teste t para uma amostra: t, p, IC 95%, d de Cohen e redação em APA. Exemplo resolvido.

· 3 min de leitura

O teste t para uma amostra compara a média de uma variável com um valor de referência fixo, conhecido antes do estudo. Responde a perguntas como «os estudantes dormem, em média, menos do que as 8 horas recomendadas?» ou «a satisfação média está acima do ponto neutro da escala?».

Ao contrário dos outros testes t, aqui não há dois grupos: há uma amostra e um número com o qual ela é comparada.

Quando usar

  • Para comparar a média com uma norma ou valor de referência publicado (a média nacional, um valor clínico).
  • Para comparar com uma meta ou valor contratual (as 40 horas semanais, a nota mínima de aprovação).
  • Para comparar com o ponto médio de uma escala (3 numa escala de 1 a 5), quando a variável é um score contínuo.

Requisitos: uma variável numérica (nível Escala) e um valor de teste que não venha dos próprios dados.

Pressupostos

  • Normalidade da variável, que se verifica com o Shapiro-Wilk. Com 30 ou mais casos, o teste é robusto a desvios moderados.
  • Independência das observações: cada caso é uma pessoa diferente.
  • Ausência de outliers extremos.

Se a variável for ordinal (um item de Likert) ou claramente não normal com amostra pequena, use o teste de Wilcoxon para uma amostra.

Hipóteses

  • H₀: a média da população é igual ao valor de referência (μ = 40).
  • H₁: a média da população é diferente do valor de referência (μ ≠ 40).

Exemplo resolvido

Pergunta: as horas trabalhadas por semana diferem, em média, das 40 horas contratuais? A variável é horas_semana, de nível Escala, em 120 profissionais.

Tabela 1 Teste t para uma amostra: horas semanais face ao valor de referência de 40 h
VariávelnMDPDiferençatglpIC 95% da diferençad
Horas por semana12043,884,953,888,57119< 0,001[2,98; 4,77]0,78

Como fazer no Analisador de Dados

  1. Abra a aba Análises e escolha «Teste t para uma amostra».
  2. No campo Variáveis, marque a variável numérica (aqui, as horas por semana).
  3. Nas Opções, escreva o Valor de teste (aqui, 40).
  4. Ligue d de Cohen, IC 95% da diferença e Verificar normalidade.

No SPSS: Analyze › Compare Means › One-Sample T Test, com o valor em Test Value. Atenção: o SPSS não calcula o d de Cohen nas versões antigas; a ferramenta calcula-o automaticamente.

Como interpretar o resultado

O valor-p. Com t(119) = 8,57 e p < 0,001, rejeita-se H₀: a média das horas semanais é significativamente diferente de 40.

O sentido. A diferença média é positiva (+3,88): trabalha-se mais do que as 40 horas, em média quase 44 horas por semana.

O intervalo de confiança. O IC 95% da diferença é [2,98; 4,77]: é plausível que, na população, se trabalhe entre 3 e quase 5 horas acima do contratado. Como o intervalo não inclui o zero, a conclusão é a mesma do valor-p.

O tamanho do efeito. O d de Cohen de 0,78 indica um efeito médio a grande (0,2 pequeno, 0,5 médio, 0,8 grande). A diferença não é apenas estatística: é relevante na prática.

Como reportar em formato APA

Modelo de redação

Foi realizado um teste t para uma amostra para comparar as horas trabalhadas por semana com o valor contratual de 40 horas. Os profissionais trabalharam significativamente mais do que o contratado (M = 43,88; DP = 4,95), t(119) = 8,57, p < ,001, IC 95% da diferença [2,98; 4,77], d = 0,78.

Erros comuns

  • Usar como valor de teste a média da própria amostra, ou de outro grupo do mesmo estudo. Para comparar com outro grupo, o teste é o t para amostras independentes.
  • Esquecer de dizer o valor de referência e porque foi escolhido. Sem ele, o resultado não se percebe.
  • Reportar só o p. O sentido da diferença e o d de Cohen são o que dá significado ao resultado.
  • Aplicá-lo a um único item de Likert com poucos casos: aí o Wilcoxon é mais adequado.

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